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A Partida (Okuribito)

11 / junho / 2010

O filme trata com suavidade um tema forte e conseguiu conquistar muitas plateia, valendo-lhe o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. No entanto, há pontos fracos um tanto patéticos.

Avaliação: bom

Há mais de 30 anos sem levar um Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, o Japão conquista no ano passado mais uma estatueta pelas mãos de Yojiro Takita, na direção do longa-metragem de sucesso A Partida (Okuribito, Japão, 2008). Tratando com delicadeza temas tabus como a aceitação da morte, a fita conquistou as platéias e superou fortes concorrentes, dentre Valsa com Bashir (2008) e Entre os Muros da Escola (2008).

Daigo (Masahiro Motoki) e sua esposa Mika (Ryoko Hirosue)

Daigo Kobayashi (Masahiro Motoki) é um dedicado violoncelista que se vê desempregado após a dissolução de sua orquestra. Entristecido e sem opções, volta para sua cidade natal acompanhado de sua solícita esposa Mika (Ryoko Hirosue). Procurando emprego, aceita trabalhar, após certa relutância, numa agência que prepara os mortos para a sua “partida”, num ritual tradicional japonês, que envolve limpeza, vestimenta e maquiagem do corpo em frente à família em luto. No entanto, Daigo esconde da esposa e dos amigos o seu emprego, com medo de ser discriminado.

É um drama muito bonito e triste, com cenas de luto bastante expressivas. O protagonista, sem rumo, se vê diante de aprendizados profundos. Trabalhando diretamente com a morte, como era de se esperar, adquire uma outra visão sobre a própria vida. A maneira como isso vai sendo feita e escolha do diretor em mesclar um tema sombrio dentro de uma história mais suave são os pontos fortes.

Ritual tradicional japonês executado por Daigo e seu chefe Ikuei Sasaki (Tsutomu Yamazaki)

No entanto, o filme tem vários pontos fracos. O primeiro é tentar adicionar humor onde não tem, forçando a barra em momentos com atuações exagerados e por vezes patéticos, sobretudo do papel de Ryoko Hirosue, que mais parece um anime. Há cenas irritantes nesse sentido.

Em outras cenas, tentou-se dar um tratamento poético que, a mim, soou muito cafona. Uma delas é colocar o músico tocando seu violoncelo num campo aberto, ao som de uma bonita trilha sonora orquestrada. Não, esse tipo de imagem não convence. Ela tem um apelo visual, mas é muito clichê.

Daigo tocando seu cello: cena de muito apelo

Em contrapartida, é uma produção muito boa, com um roteiro bem escrito. As reviravoltas são adequadas e a trilha sonora, como era de se esperar, é muito bonita.

Mesmo retratando rituais que não ocorrem na cultura ocidental, A Partida conseguiu se aproximar bastante desta plateia. Nas mãos dos japoneses, mostrou-se um gênero tocante e de muito sucesso.

Direção: Yojiro Takita
País: Japão
Ano: 2008

Elenco: Masahiro Motoki, Tsutomu Yamazaki, Ryoko Hirosue, Kazuko Yoshiyuki, Kimiko Yo, Takashi Sasano
Produção: Toshiaki Nakazawa, Toshihisa Watai e Ichirô Nobukuni
Roteiro: Kundo Koyama
Fotografia: Takeshi Hamada
Trilha Sonora: Joe Hisaishi

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One Comment
  1. Rodrigo Prado permalink

    Apesar de bonito, e bem conduzido, o filme não me convence. O argumento usado já fora usado e abusado pela série Six Feet Under. Então, não me surpreendeu ou mudou algo sobre minha visão do falecer. Meio forçado, concordo. Talvez até não tão bom quanto Valsa com Bashir. Mas é um bom filme.

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