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Milk – A Voz da Igualdade (Milk)

20 / maio / 2010

Cinebiografia do primeiro homossexual assumido a ser eleito a um cargo público nos Estados Unidos, o filme faz um bom retrato, mas é pouco ousado.

Avaliação: bom

Vindo de um diretor como Gus Van Sant, acostumado a lançar filmes intrigantes, dentre a reconstrução cult do massacre de Columbine Elefante (2003) e a cinebiografia de Kurt Cobain Últimas Dias (2005), espera-se sempre algo ousado. Essa expectativa é reforçada quando o diretor, homossexual assumido, se propõe a dirigir um filme que conta a luta de Harvey Milk, primeiro gay assumido a ser eleito a um cargo público nos Estados Unidos, no longa-metragem Milk – A Voz da Igualdade (Milk, EUA, 2008).

A fita, embora boa, resultou num enquadramento um tanto convencional e pouco instigante da personalidade de Milk, interpretado com maestria por Sean Penn, numa atuação vencedora do Oscar (o filme foi indicado a oito). A história é a seguinte: Harvey Milk, inconformado de chegar aos 40 anos sem ter feito nada de importante, resolve se mudar para Califórnia, acompanhado de seu namorado (James Franco), abrindo uma loja de revelação fotográfica.

Harvey Milk (Sean Penn): pioneiro nos Estados Unidos

Sabendo da repressão que existia, inclusive por parte da polícia, sobre os gays, Milk assume uma postura desafiadora e percebe que, para a situação mudar, é necessário que alguém tome uma iniciativa. Candidatando-se a supervisor distrital, tem de enfrentas muitas derrotas e o discurso retrógrado de seus oponentes, até alcançar o tão desejado cargo. Lutando pelos direitos dos homossexuais, um ano após ser eleito é assassinado por um adversário de campanha, em 1978.

Com fotografia de Harris Savides (Zodíaco, O Gângster), o filme faz uma ótima reconstrução do ambiente californiano da década de 70 e capta seus personagens com câmeras muito espertas, quase que flagrando-os em momentos íntimos. Além disso, o filme adquire um tom semidocumental, mesclando imagens da época. Direção muito boa, resultado também. Sem contar as atuações.

Apoiadores do movimento gay na Califórnia

O problema do filme não é tanto da parte técnica, mas da falta de ousadia. É, sim, um mérito não mitificar a imagem de Milk, isto é, o político não é transformado num herói, com a “personalidade perfeita”, como é feito em Invictus (2009) com Nelson Mandela. A importância de Milk fica mais pelo lado didático em que é exposto do que pela sentimentalidade que poderia ter envolvido mais o espectador com a história.

O resultado é um filme um tanto frio. O roteiro, escrito por Dustin Lance Black, outro homossexual assumido, é muito bom (também levou o Oscar) e, digamos, é o responsável tanto pelo sucesso que a fita obtém ao retratar o papel de Milk na causa gay, quanto pela frieza e certo distanciamento que a mesma adquire. Em outras palavras, não se sai da sessão querendo saber mais da vida de Milk.

Cartaz do filme

Gus Van Sant parece fazer de Milk – A Voz da Igualdade uma plataforma para expor seus ideais. Não que seja ruim. Foi bem executado, mas por um caminho meio tradicional, sendo apenas uma cinebiografia e não aquele filme, envolvente e interessante. Vale destacar que Sean Penn, no discurso da cerimônia do Oscar, disse para que todos aqueles que votaram contra o matrimônio gay se envergonhassem, repensassem a questão.

Sendo um bom filme ou não, Milk tem o valor da mensagem que carrega: um chamado de igualdade num tempo em que os homossexuais ainda têm que se esconder em muitos lugares, sofrendo da alienação da sociedade que insiste em os reprimir. Van Sant está tentando cumprir seu papel nesta luta. Ousado ou não, é sempre pertinente.

Direção: Gus Van Sant
País: EUA
Ano: 2008

Elenco: Sean Penn, Josh Brolin, Emile Hirsch, James Franco, Diego Luna, Brandon Boyce, Kelvin Yu, Lucas Grabeel, Alison Pill, Victor Garber, Denis O’Hare, Howard Rosenman, Stephen Spinella, Ted Jan Roberts, Tom Ammiano
Produção: Bruce Cohen, Dan Jinks, Michael London
Roteiro: Dustin Lance Black
Fotografia: Harris Savides
Trilha Sonora: Danny Elfman

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3 Comentários
  1. Ótimo post!

    Eu tenho esse filme aqui em casa, quando tiver tempo vou ver se assisto.

    Valeu!

  2. Rodrigo Prado permalink

    Filme bacana, mas vindo de Gus Van Sant, me decepcionou. Como disse, esperava algo mais ousado. O enquadramento e a narração ficou convencional demais, talvez pelo fato do diretor querer levar a sua causa para todo o público. Portanto, decidiu por fazer um filme convencional.
    Sean Penn nunca decepciona, mas não só ele, todo o elenco está muito bem.
    Filme bacana, mas acredito que Van Sant poderia mais.

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