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Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland)

01 / maio / 2010

Adaptação de dois clássicos de Lewis Carroll, o filme constrói um mundo visualmente bonito e bastante colorido. Entretanto, a história fraca e maniqueísta, que culmina num final piegas, destrói o que havia de melhor no original: a anarquia e a ambiguidade.

Avaliação: razoável

A estréia de Alice no País das Maravilhas (Alice in Wonderland, EUA, 2010) nos cinemas nacionais era muito aguardada, porque adaptara duas obras clássicas de Lewis Carroll, uma homônima ao filme e a outra Alice Através do Espelho, para o cinema fantasioso e criativo do diretor Tim Burton. O resultado, infelizmente, é abaixo do esperado.

Para este longa-metragem, foi criada uma terceira história, que mescla elementos das duas originais, mas baseia-se numa trama e num ponto de partida diferentes. No filme, Alice (Mia Wasikowska) tem 19 anos e se vê diante de uma decisão difícil: surpresa, deve escolher se aceita ou não se casar com um aristocrata com o qual pouco simpatiza. Para fugir da ocasião, segue um coelho branco apressado até cair numa toca e chegar ao que os personagens chamam de Mundo Subterrâneo (do original, Underland, trocadilho com Wonderland).

Alice (Mia Wasikowska) no Mundo Subterrâneo

Lá, ela reencontrará os personagens que viu há 10 anos, quando visitou o Mundo Subterrâneo pela primeira vez (ilustrado no clássico de Carroll). Dentre os personagens, o Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) orientará Alice para que, com apoio da Rainha Branca (Anne Hathaway), seja derrotado o maléfico reinado da autoritária Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter).

Quando me perguntam o que achei do filme, respondo que achei colorido. A primeira impressão de toda a construção fantástica do mundo paralelo em que Alice se encontra é esta. Sem dúvida, Tim Burton é muito hábil para criar coisas bem diferentes e, por vezes, bizarras, vide o drama Edward Mãos-de-Tesoura (1990), a animação O Estranho Mundo de Jack (1993) e o musical Sweeney Todd (2007).

O Chapeleiro Maluco (Johnny Depp) e a Rainha Vermelha (Helena Bonham Carter)

Sua inovação, criatividade e detalhismo pareciam casar perfeitamente com o mundo louco de Lewis Carroll. É o que mostra a arte do filme, impecável. Entretanto, a má habilidade que Burton tem para desenvolver histórias não conseguiu reproduzir a anarquia nonsense de Carroll, assim, Alice caiu num modelo padrão de filmes de aventura que transformou toda a ambiguidade das personagens originais em um maniqueísmo do tipo As Crônicas de Nárnia (2005).

Em termos de história, o resultado é frustrante. Não porque Burton, sobre o roteiro de Linda Woolverton (a mesma de A Bela e a Fera e O Rei Leão), construiu uma “terceira” aventura de Alice, misturando elementos das obras originais, e sim porque polarizou o enredo em uma divisão piegas de bem e mal, assassinando o que os livros tinham de melhor: os personagens não são amigáveis, tampouco confiáveis. Aqui, Alice vem para salvar o Mundo Subterrâneo.

O Gato Risonho: um dos destaques da fita

A aventura segue arrastada. Toda aquela magia visual pouco adianta. Pode até deslumbrar de início, mas cansa. O destaque está na Rainha Vermelha, interpretada pela ótima Helena Bonham Carter, esposa do diretor, e no Gato Risonho, muito bem construído. Entretanto, a protagonista Mia Wasikowska criou uma Alice insossa, inexpressiva. Nem Johnny Depp se salva; embora bom intérprete, seu personagem está vazio. Sobre Anne Hathaway, é melhor nem comentar.

Não se empolga, não se envolve, não se surpreende. Alice no País das Maravilhas caiu no rol das produções bonitas e sem graça. Para completar, o final é terrivelmente ruim, parecendo um filme de superação. Definitivamente isso não é Lewis Carroll. Muito menos Tim Burton.

Direção:
Tim Burton
País: EUA
Ano: 2010

Elenco:
Mia Wasikowska, Johnny Depp, Michael Sheen, Anne Hathaway, Helena Bonham Carter, Matt Lucas, Alan Rickman, Christopher Lee, Crispin Glover, Stephen Fry
Produção: Richard Zanuck, Joe Roth, Jennifer e Suzanne Todd
Roteiro: Linda Woolverton
Fotografia: Dariusz Wolski

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4 Comentários
  1. Infelizmente, tenho perdido o tesão e curiosidade apos ler, diariamente, tantas críticas negativas deste filme. Todos blogueiros, praticamente, fazem coro.

    Parabéns pelo blog! linkei ao meu.

  2. Gostei do artigo! Foi bem esclarecedor.

    Porém, não gosto desse idéia maniqueismo, lembra até mesmo filmes da Xuxa (desculpe pela comparação) ou algo do tipo.

    Quanto ao filme em si, eu vou assistir e depois eu opino.

    Abraços!

  3. Anne Frank permalink

    Concordei com todo o texto, mas mudaria a última afirmativa para: ‘Definitivamente isso não é Tim Burton. Muito menos Lewis Carroll.’ – vide texto original.
    Acho que Lewis ficou muito mais escondido. Devia estar permeiando os jardins de flores brancas pintadas de encarnado, enquanto o Burton, apesar de fugir do seu estilo fantástico de filmes sombrios e atípicos, devia estar de porre.

  4. Achei bom,mais podia ser melhor

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