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Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar (Non Ma Fille, Tu N’iras Pás Danser)

18 / abril / 2010

Recheada de simbolismo e pouco preocupada com a narrativa, a fita garante um bom retrato das relações humanos. Entretanto, talvez por essas mesmas razões, a história segue arrastada e pouco envolvente.

Avaliação: razoável

Típico filme que poderia ser enquadrado no estereótipo cult, o novo longa-metragem Não, Minha Filha, Você Não Irá Dançar (Non ma Fille, Tu n’iras Pás Danser, França, 2009), de Christophe Honoré, retrata alguns problemas pessoais e familiares optando pelo uso carregado de simbolismos.

De início, somos apresentados a Léna (Chiara Mastroianni) que tenta tomar conta de seus filhos prestes a embarcar para a casa de seus pais, com intuito de passar umas férias, após ter deixado o emprego e o marido. No entanto, em meio aos palpites e conflitos com outros membros da família, sobretudo sua mãe (Marie-Christine Barrault), a vida de Léna não parece se estabilizar muito bem. Para piorar, sua mãe ainda convida Nigel (Jean-Marc Barr), o ex-marido de Léna, para passar alguns dias lá também.

Chiara Mastroianni no papel de Léna: talento para o seu papel

Sem se preocupar muito com a narrativa, a história, que não possui um fim propriamente dito, apenas dá conta de retratar o momento conturbado que Léna estava passando, mostrando sua incapacidade para lidar consigo mesmo e com sua vida.

Outra prova de que o diretor Honoré não se preocupava com a narrativa é a opção de interromper a história por uns quinze minutos para contar a lenda de uma jovem moça que pretendia se casar, mas só o faria se arranjasse um homem que conseguisse dançar com ela por doze horas seguidas.

Léna com sua irmã (Marina Föis) e seus filhos

Assim como quase tudo no filme, esse conto é uma metáfora da situação de Léna e, possivelmente, a inspiração para o título do filme. Há outros simbolismos presentes, por exemplo, o pombo machucado encontrado na estação que Léna, por insistência do seu filho Anton (Donatien Suner), aceita cuidar, mas que acaba morrendo.

E aqui entra o papel das crianças. O menino parece, às vezes, mais maduro que a própria mãe. Em certo momento, diz a ela “Sem drama, mãe” e, ao contrário do que costuma acontecer, é ele quem lê o conto da jovem moça para ela. Se a Chiara Mastroianni, filha do grande astro do cinema italiano, consegue manter bem sua atuação no filho, o ator mirim que interpreta seu filho também o faz muito bem.

Cartaz original do filme

No entanto, o filme segue arrastado demais e a indefinição, tanto das relações entre os familiares, quanto de um problema mais objetivo para a protagonista, acaba tornando-o cansativo para o espectador. Não é um filme interessante, envolvente, e nem os diálogos despertam muito a atenção.

Construir um enredo baseando-se no próprio sentimento confuso da personagem principal pode até ser uma boa ferramenta para criar uma atmosfera mais real, embora carregada de simbolismo. É fato que o filme bate na mesma tecla, mesmo assim, é como se saímos da sessão indiferentes à história de Léna.

Direção: Christophe Honoré
País: França
Ano: 2009

Elenco: Chiara Mastroianni, Marina Foïs, Marie-Christine Barrault, Louis Garrel, Jean-Marc Barr, Fred Ulysse, Julien Honoré, Marcial Di Fonzo Bo, Alice Butaud, Donatien Suner
Produção: Béatrice Mauduit
Roteiro: Geneviève Brisac, Christophe Honoré
Fotografia: Laurent Brunet
Trilha Sonora: Alex Beaupain

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